Ponta Porã/MS/Brasil, 15/04/2026 14:31

Linda e tóxica: espirradeira é planta comum em MS, mas que pode ser letal para animais e crianças

Linda e tóxica: espirradeira é planta comum em MS, mas que pode ser letal para animais e crianças

Você já ouviu falar na espirradeira? Este arbusto de grande porte pode ser facilmente encontrado pelas ruas de , embelezando praças e calçadas com suas flores. A planta, também conhecida como ‘oleandro’, é amplamente utilizada, nos quatro cantos do Brasil, para fins ornamentais. Em , a planta se popularizou por ser muito resistente ao clima quente e seco do Estado, além de demandar pouco ou nenhum cuidado e florescer o ano inteiro.

O que pouca gente sabe é que, apesar de a espécie parecer inofensiva, ela pode ser mortal. Tóxica da ponta de suas folhas até a raiz, assumir o ‘risco’ de ter uma dessas em casa demanda cuidados extras e cautela. A espécie pertence à família das Apocynaceae e é nativa do sul da Europa, norte da África e oeste da Ásia.

 

Ela foi trazida ao Brasil com finalidades ornamentais, e rapidamente se espalhou pelo país, principalmente pela facilidade de sua reprodução. Ela pode ser encontrada nas cores rosa, branca e vermelha, sendo esta última a mais tóxica entre as variações.

Planta é tóxica para humanos e animais 

A professora do curso de Ciências Biológicas da  (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Maria Ana Farinaccio, especialista da família das Apocynaceae, explica que todas as partes da espirradeira são tóxicas, principalmente as sementes. A planta produz uma substância leitosa branca rica em alcaloides cardioativos, a qual pode ser liberada cortando qualquer parte, incluindo as flores.

A principal forma de contaminação é por meio da ingestão das folhas, dos caules ou das flores. O látex (substância leitosa branca produzida pela planta) também causa irritação ao entrar em contato com a pele. Por isso, a manutenção e poda dos arbustos devem ser feitas com cautela, pois a contaminação pode ocorrer se o látex entrar em contato com olhos, mucosa ou feridas abertas, indo parar na corrente sanguínea.

A intoxicação pode causar náuseas, taquicardia, distúrbios mentais e, em casos mais graves, levar até a morte. Nessas situações, o ideal é buscar atendimento médico ou veterinário de emergência e levar uma amostra da planta para apresentar aos médicos.

“É importante ter esse conhecimento, entender que não pode deixar ramos jogados no chão após a poda [pois animais e crianças podem tocar ou ingerir]. A pessoa que tem em casa, tem que ter os cuidados, principalmente se ela tiver animais ou crianças”, frisa.

Professora Maria Ana Farinaccio, em entrevista ao Jornal Midiamax. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Plantas tóxicas têm potencial farmacêutico 

Uma curiosidade sobre plantas tóxicas e venenosas, compartilhada pela botânica Maria Ana, é que elas possuem um grande potencial farmacêutico. A indústria farmacêutica costuma utilizar esses tipos de espécies em estudos sobre como extrair seus componentes e produzir medicamentos.

A espirradeira, assim como outras plantas da família Apocynaceae, aparece com frequência em artigos de biomedicina. “Dentro dessa família, a gente tem algumas espécies que têm um potencial muito importante, como a vinca, planta da qual é extraída uma substância utilizada para remédios, para tratar leucemia, por exemplo”.

No entanto, Maria frisa que o uso farmacêutico da espirradeira, vinca e de outras espécies tóxicas e venenosas é feito somente por profissionais, em laboratórios e por meio de estudos científicos. A população, em geral, não deve utilizar plantas tóxicas e venenosas para fazer chás ou ingeri-las, pois as chances de morte são altas.

Sobre a espirradeira

Conforme explica a professora Maria Ana Farinaccio, a espirradeira possui uma pluma na ponta de suas sementes, as quais acabam sendo dispersas pelo ar, facilitando sua reprodução. A planta também nasce ao cortar uma estaca do arbusto e fincá-la na terra. Os arbustos podem chegar até cinco metros de altura.

Apesar do tamanho expressivo, a espécie não é considerada uma árvore, por suas características. “Elas crescem isoladas e vão formar ramos em volta que vão engrossando, mas não chega a ser como um tronco com madeira. Mas eles têm uma boa altura e são bem fortes e resistentes”, explica a botânica.

Como a planta não é nativa do Brasil, ela não possui nenhuma função para o meio ambiente no país. Não existem insetos ou abelhas polinizadoras locais que utilizem suas flores ou folhas. Caso ela, algum dia, fosse erradicada do território nacional, a botânica cita que ela não faria nenhuma falta.

Professora mostra planta documentada em livro. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Plantas nativas são sempre a melhor opção 

Apesar de ser bela e florir durante as quatro estações, a botânica cita que não considera a espirradeira a melhor opção para enfeitar jardins e praças, principalmente em casas de famílias que possuam animais de estimação e crianças pequenas. Ela cita que já foram documentados em artigos casos de morte por animais de pequeno e grande porte, incluindo gatos e até gado, que vieram a óbito após ingerir a planta por acidente.

Maria também relembra que Campo Grande possui seu próprio guia de arborização, reformulado recentemente pela Prefeitura. Ela aconselha que a população se informe por meio desse tipo de material, antes de escolher uma espécie somente pela estética.

“A gente deveria utilizar nossas plantas na ornamentação, porque as plantas que são nativas vão auxiliar os insetos daqui, a polinização vai ser feita pelas abelhas, pelos pássaros daqui. Então, é muito mais importante você buscar plantas nativas para a ornamentação da sua casa, ou pôr uma árvore nativa na frente da sua casa”, expressa.

Se o desejo for pela beleza da floração, a botânica defende que existem muitas espécies que dão flores tão bonitas quanto as espirradeiras — e, de brinde, ainda geram frutos. “Por exemplo, na sua calçada, você pode plantar uma pitangueira, uma goiabeira, que as flores são bonitas, vai ter fruto, vai atrair a fauna. Mesmo que queira plantas exóticas, você pode optar pelas que não são venenosas.”

Guia de arborização

A Prefeitura de Campo Grande lançou, em outubro de 2025, o “Guia de Identificação de Árvores e o Manual de Arborização Urbana”, em parceria com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). O material reúne informações sobre espécies recomendadas, não recomendadas e proibidas para plantio, com intuito de ajudar a planejar o paisagismo urbano e a evitar problemas com espécies invasoras.

Tanto o guia quanto o manual desenvolvido possuem formato ilustrativo e linguagem acessível. Somente o guia apresenta mais de 50 espécies encontradas na cidade, com fotografias, características botânicas e ecológicas, orientações sobre o manejo adequado e um calendário de floração, ferramenta prática para quem deseja planejar ações de paisagismo, educação ambiental e conservação da biodiversidade.

O manual traz também a lista de espécies indicadas para áreas maiores, como praças, parques e para a recuperação de Áreas de Preservação Permanente. Também há indicações sobre o que plantar em calçadas e jardins, para evitar dor de cabeça com raízes que podem quebrar muros e calçadas.

O conteúdo visa, principalmente, à educação ambiental. O material ajuda a população a reconhecer, cuidar e valorizar as árvores que compõem o patrimônio natural e paisagístico da cidade. Os documentos estão disponíveis gratuitamente em formato digital nos sites da Prefeitura de Campo Grande.

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